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Helamã R. Matos
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Quanto vale a sucata de cobre e alumínio da sua indústria? Guia de preços e destinação 2026

Cobre reciclado não é nicho, é indústria bilionária em expansão. O mercado global de sucata de cobre foi avaliado em cerca de US$ 45,3 bilhões em 2024, com projeção de chegar a US$ 67,8 bilhões até 2033, puxado pela demanda por material sustentável e por regulação ambiental mais rígida.
Esse crescimento tem uma explicação estrutural. Segundo o International Copper Study Group, a produção mundial de cobre refinado primário deve crescer menos de 1% em 2026, enquanto a produção secundária, feita a partir de sucata, deve crescer mais de 5%, com a produção secundária de cobre refinado já respondendo por cerca de um quinto de todo o cobre refinado registrado nas estatísticas do setor em 2025.
Executivos do setor de reciclagem multimetálico declararam, no World Mining Congress 2026, que o cobre reciclado pode responder por até 25% da demanda mundial até 2035, à medida que a eletrificação e a transição energética pressionam a oferta de metal virgem, um cenário em que o mundo precisaria somar cerca de 2,5 milhões de toneladas adicionais de cobre secundário nos próximos anos para cobrir parte dessa demanda.
Reciclar cobre também é mais barato em termos de energia do que extrair metal virgem: o processo consome até 85% menos energia que a produção primária, uma economia global estimada em 40 milhões de toneladas de CO2 por ano, e a Europa hoje já cobre quase metade de toda a sua demanda de cobre com material reciclado. Em outras palavras, o comprador do outro lado da negociação não está pagando por generosidade ambiental. Está pagando porque reciclar é estruturalmente mais barato e mais rápido do que abrir uma nova mina.
Essa pressão global chega rápido ao balcão nacional. Levantamentos do setor mostraram o cobre saindo de cerca de US$ 12.250 por tonelada no início de abril de 2026 para mais de US$ 13.180 por tonelada duas semanas depois, com o alumínio acompanhando o movimento de alta no mesmo período, avanço que se refletiu em referências comerciais de cobre novo na faixa de R$ 8,50 a R$ 8,85 por quilo naquele momento.
A diferença entre metal ferroso e não ferroso fica clara quando os preços aparecem lado a lado. Em levantamentos por praça de abril de 2026, o latão foi cotado a R$ 28,31 por quilo e o cobre mel a R$ 57,83 por quilo, enquanto o ferro chaparia aparecia a R$ 0,60 por quilo e o ferro cavaco a R$ 0,30 por quilo. Uma diferença de dezenas de vezes entre categorias que, na correria da operação industrial, muitas vezes são tratadas com o mesmo descaso. Isso significa que separar cobre e alumínio corretamente na origem, em vez de deixar tudo virar “sucata mista”, tem um impacto financeiro muito maior do que costuma parecer.
Não existe preço único de mercado, existe faixa de referência que se ajusta conforme quatro fatores práticos:
Pureza e mistura de ligas. Cobre puro vale mais que cobre misturado com outro metal. Quando a separação na origem falha, o lote inteiro é precificado pelo material mais barato dentro dele.
Atualização da cotação. Preço de metal não ferroso muda toda semana, às vezes todo dia, acompanhando o mercado internacional. Vendedor que negocia sempre pelo mesmo valor “de cabeça” tende a vender abaixo do preço vigente.
Contaminação e apresentação do material. Sucata misturada, queimada ou mal separada perde valor mesmo em semanas de alta, porque o comprador precisa reprocessar antes de revender.
Concorrência entre compradores. Quando existe um único comprador fixo, não existe negociação de fato. O preço é o que aquele comprador quiser oferecer naquele dia, e normalmente reflete uma margem maior pra ele, não pro vendedor.
Esse é exatamente o ponto onde a maioria das indústrias perde dinheiro sem perceber: elas têm o material certo, mas vendem sem visibilidade de mercado, pro comprador de sempre, sem cotação atualizada e sem comparação entre ofertas. É a lacuna que o trade de resíduos da Urupê existe pra fechar. A plataforma conecta o gerador de metal não ferroso a uma rede de compradores homologados, com cotação de mercado acompanhada e documentação (MTR e demais licenças ambientais) gerada automaticamente junto com a negociação, não depois dela.
Esse padrão já apareceu em números reais dentro da carteira de clientes da Urupê: uma indústria parceira que trabalhava com sucata de estamparia e ponta de barra viu o valor médio conseguido por tonelada subir mais de 44% em quatro meses, sem nenhuma mudança na linha de produção. A diferença inteira veio de vender pro comprador certo, pelo preço de mercado do dia, em vez de aceitar a primeira oferta disponível.
Se sua indústria gera cobre, alumínio, latão, bronze ou qualquer outro metal não ferroso e vende sempre pro mesmo comprador, vale uma pergunta simples: quando foi a última vez que esse preço foi comparado com a cotação real de mercado daquela semana? Num mercado que se move em dólar e responde a uma demanda global crescente, a resposta a essa pergunta provavelmente vale mais dinheiro do que parece.
Fontes: Mordor Intelligence / Accio (dimensionamento do mercado global de cobre reciclado); International Copper Study Group, via Diario del Sur (produção primária vs. secundária de cobre refinado, 2026); World Mining Congress 2026 / Aurubis AG, via Stakeholders.pe (projeção de reciclagem cobrindo até 25% da demanda global até 2035); International Copper Association, via Copper Alliance (economia de energia e CO2 na reciclagem de cobre); Sucatas.com (cotações e preços por praça, abril de 2026).